Abigetao   22/11/2017 | 20h27     Atualizado em 24/11/2017 | 16h29

FacebookTwitterPinterestGoogle+LinkedIn

Insegurança no Interior: audiência pública debate soluções para combater abigeato e roubos em propriedades rurais de São Marcos

Em torno de 80 pessoas participaram da reunião realizada no auditório da prefeitura de São Marcos nesta terça (21), que contou com promotor público, delegado e comandante da BM. Confira vídeo com apontamentos de promotor e ex-prefeito Casarotto

Cerca de 80 produtores e lideranças participaram de audiência no auditório da prefeitura
Cerca de 80 produtores e lideranças participaram de audiência no auditório da prefeitura
Foto: Jornal L’Attualità

O Interior está inseguro e as autoridades públicas de São Marcos debateram soluções para os roubos e furtos que atingem as propriedades rurais do município, em encontro realizado na noite desta terça-feira (21), no Auditório Municipal Joaquim Grison, da prefeitura. A reunião iniciada às 19h30 contou com presença de aproximadamente 80 pessoas. A maioria da plateia era formada por moradores da área rural são-marquense interessados em escutar o que tinham a dizer os responsáveis pelos órgãos de segurança do município. Vereadores também estiveram presentes. Participaram do encontro o promotor público Evandro Lobato Kaltbach, o delegado Luciano Pereira, o comandante da Brigada Militar, Sargento Eberson Santos Pires, além do prefeito Evandro Carlos Kuwer (PMDB) e do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, André Bassanesi (ambos moram no interior e são produtores rurais). "Eles falaram sobre a situação e, após suas explanações, foi aberto para perguntas, quando as pessoas puderam se manifestar", comentou Bassanesi. O líder sindical destacou a importância do encontro promovido pela entidade. "A participação podia ser maior, mas foi boa, sobretudo levando em conta o horário, porque às 19h30 ainda é dia e no Interior o pessoal está lidando com seus afazeres", comentou.

 

Bassanesi salientou que o delegado e o promotor frisaram a importância de as pessoas fazerem o registro das ocorrências de roubo e furto. Ele explicou que a juíza Ana Paula Della Latta também havia sido convidada, mas não se fez presente por estar viajando. "A representante da Inspetoria Veterinária de Caxias compareceu e achou bem interessante a reunião", citou. Sobre a indignação dos moradores do interior com a soltura de pessoas detidas por envolvimento com furtos e roubos de gado (como os dois homens presos na comunidade do Dalanho por porte ilegal de armas em 1º de novembro e soltos logo em seguida), o presidente do STR citou a fala do delegado Luciano Righes Pereira. "Ele disse que é assim mesmo, porque a polícia apenas cumpre o que a lei determina e então teria que cobrar de quem faz as leis", ponderou.

Polícias, Judiciário e Inspetoria Sanitária debateram iniciativas para coibir avanço do abigeato
Polícias, Judiciário e Inspetoria Sanitária debateram iniciativas para coibir avanço do abigeato
Foto: Jornal L’Attualità

Durante a audiência o promotor público Evandro Lobato Kaltbach comentou a importância do aumento da pena mínima para os ladrões de gado. Conforme a Lei 13.330 - feita em 2016, pelo deputado federal Afonso Hamm (PP), e que entrou em vigor em 2 de agosto deste ano -, a pena mínima passou de 1 ano a 4 meses de reclusão para 2 anos e 5 meses. Já a pena máxima, que era de 4 anos, foi elevada para 5 anos. "Seria mais eficiente se o mínimo tivesse sido aumentado mais, porque o juiz geralmente aplica a pena mínima", observou Kaltbach. Presente na audiência, o ex-prefeito Adair Casarotto elogiou a lei, salientando que a partir de agora toda a cadeia do crime será punida: desde quem furta até quem oculta, transporta e comercializa as mercadorias. "Desde a aprovação desta lei os casos de abigeato no Estado diminuíram 23%, de 5.171 para 3.958, com 1.213 registros a menos", citou.

’Se não acreditarmos na lei em quem vamos confiar?’, questiona ex-prefeito Casarotto

Um dos destaques do encontro que debateu soluções para frear os roubos no Interior foi o pronunciamento do ex-prefeito Adair Casarotto (PP). Assessor parlamentar do deputado federal Afonso Hamm (PP), Casarotto citou a Lei do Abigeato, feita pelo deputado de Bagé. Ele salientou a necessidade de atualizar a lei antiga, que era de 1940. "Quero acreditar na lei, porque senão vou acreditar em quem?", indagou. Casarotto também falou sobre o Projeto de Lei (PL) 2.722, feito por Hamm em 2012. Ele visa  a regulamentar o porte rural de armas para moradores do Interior nos municípios brasileiros, estabelecendo uma série de requisitos. Conforme a proposta, a licença terá validade de 10 anos e ficará restrita aos limites da propriedade. Será concedida para maiores de 25 anos com bons antecedentes criminais e que comprovem habilidade no manejo da arma que pretendem portar. Casarotto ponderou que, como as propriedades rurais ficam distantes, o acesso ao socorro em caso de assalto fica mais difícil, o que torna o porte de armas necessário. Ele citou que nos municípios da Serra e Campos de Cima da Serra os vereadores aprovaram moções de apoio ao projeto (em São Marcos por unanimidade). "Essas votações mostram que os vereadores da região são favoráveis ao projeto. Porque a situação no interior é grave e o que está sendo tratado nesta reunião é um assunto muito sério e que preocupa a todos", assinalou ao final. 

Assista às manifestações do ex-prefeito Adair Casarotto e do promotor público Evandro Lobato Kaltbach