Magistério estadual   23/11/2017 | 16h37     Atualizado em 24/11/2017 | 14h57

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Greve dos professores estaduais de São Marcos termina e recuperação de aulas seguirá em janeiro   

Últimos docentes grevistas retomaram atividades nesta segunda (20) e aulas voltaram à normalidade na rede pública estadual são-marquense após dois meses de paralisação:  Ginásio, Maranhão, Monteiro Lobato e João Polo terão atividades em janeiro

Cerca de 80 professores são-marquenses aderiram à greve na rede estadual de ensino
Cerca de 80 professores são-marquenses aderiram à greve na rede estadual de ensino

A greve dos professores estaduais de São Marcos acabou e desde segunda-feira (20) as aulas voltaram ao normal em todas as escolas estaduais são-marquenses. O grupo de aproximadamente 20 docentes que ainda estavam paralisados decidiu retomar às atividades na última sexta-feira (17). Mesmo que aulas já estejam sendo recuperadas com atividades aos sábados e com o adiantamento de períodos letivos de professores que não aderiram à mobilização, a maioria dos estudantes das principais escolas estaduais de São Marcos não terá férias de verão em janeiro. Conforme apurou o L’Attualità na manhã desta quinta-feira (23), através de contato com a direção das escolas, a tendência é de que haja uma parada nas duas últimas semanas do ano - de Natal e Ano-Novo, entre 22 de dezembro e 2 de janeiro - com retomada no dia 3. Nas duas principais escolas estaduais de São Marcos - Ginásio e Maranhão, únicas da rede pública que disponibilizam Ensino Médio, com mais de mil alunos matriculados - o calendário de aulas ainda não foi definido. Mas já está certo que será necessário estender as aulas até a segunda quinzena de janeiro, quando haverá o início das férias, que seguirão até fevereiro (o início do ano-letivo 2018 ainda não foi definido pela Secretaria Estadual de Educação).

 

No Maranhão, que possui 370 alunos e 47 educadores, o novo calendário ainda não homologado junto à 4ª CRE (Coordenadoria Regional de Ensino). No Ginásio (Colégio Estadual São Marcos), que possui mais de 700 estudantes e 55 educadores, reunião na noite desta quinta (24) definirá o novo calendário letivo, conforme explicou o diretor Kléber Ascari. "A partir de sexta teremos uma posição definida, mas já posso adiantar que será preciso recuperar aulas no verão e antes do dia 20 de janeiro será difícil o término. A recuperação já iniciou e estão ocorrendo aulas aos sábados", informou. Também na Monteiro Lobato (160 alunos e 21 professores), onde os últimos grevistas retornaram ainda em 14 de novembro, haverá aulas em janeiro e também aos sábados. É o mesmo caso da João Polo (53 alunos e 15 professores), onde as aulas deverão seguir até 23 de janeiro. Mas na Orestes Manfro (308 alunos e 26 docentes), onde apenas alguns professores paralisaram, não haverá necessidade de aulas em janeiro: conforme a direção da escola, será possível recuperar os períodos letivos até o final deste ano e as atividades encerrarão em 22 de dezembro, com entrega dos boletins em 5 de janeiro.

Professores estaduais de São Marcos que aderiram à greve comunicaram encerramento da paralisação através de nota divulgada em redes sociais

Em São Marcos aulas de recuperação devem ir até o dia 15 de janeiro de 2018
Em São Marcos aulas de recuperação devem ir até o dia 15 de janeiro de 2018

A decisão de encerrar a greve iniciada em 21 de setembro foi comunicada pelos professores estaduais são-marquenses através de postagem em rede social feita em 17 de novembro. Intitulado "Carta Aberta à Comunidade Escolar", o comunicado avalia os resultados da mobilização que durou dois meses, explicando os objetivos da greve (entre eles a qualificação da educação pública) e citando as conquistas do movimento, que iniciou com adesão de aproximadamente 80 professores são-marquenses; muitos retornaram às aulas já no início de novembro, o que reduziu a força do movimento, que na última semana contava com apenas 20 grevistas. "Sabemos que a greve é uma medida extrema de reivindicação. Mas, ao depararmo-nos com medidas/tentativas (também extremas), que retirariam direitos adquiridos em anos de tratativas com diferentes governos, não tivemos outra opção: ou nos calávamos e seríamos coniventes, ou tomaríamos uma atitude", destaca o texto produzido coletivamente pelos educadores grevistas.

 

Entre as conquistas citadas estão o fim do parcelamento salarial (desde outubro o pagamento é escalonado, com os que ganham menos recebendo antes); o não encontro das folhas de pagamento dos meses de outubro, novembro e dezembro; e a não demissão de qualquer professor ou funcionário grevista. Outro avanço apontado foi a retirada da PEC 257, que alteraria a data de pagamento do salário dos servidores, com o parcelamento do 13º de 2017 em 24 vezes. Os educadores que fizeram greve também asseguram que não medirão esforços para recuperar os períodos letivos, se disponibilizando a trabalhar durante as férias de verão, de modo a não comprometer a qualidade da educação. "Agradecemos a compreensão e o apoio de todos que estiveram ao nosso lado e convidamos a todos os pais, que se demonstraram preocupados com a educação dos filhos, a se fazerem cada vez mais presentes na vida escolar para a construção de uma escola cidadã e plural", destaca o comunicado.

Paralisação ainda segue no Estado e decisão será tomada em assembleia do Cpers nesta sexta (25): com 80 dias, greve é a segunda maior da história

Encerrada em São Marcos, a greve do magistério estadual ainda segue em alguns municípios do Rio Grande do Sul. Segundo a Seduc (Secretaria Estadual de Educação), 83% dos colégios (2,1 mil unidades) estão com aulas normais, 15% (396 escolas) funcionam parcialmente e 26 estão totalmente fechadas. O Cpers diverge e diz que a mobilização é maior. Iniciada em 1º de setembro, já são em torno de 80 dias de paralisação, o que torna a greve de 2017 a segunda maior da história da categoria: a mais longa foi em 1987, quando os professores ficaram quase 100 dias parados. Nesta semana a Seduc afirmou que não negociará com os professores enquanto a greve for mantida. Conforme a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, a decisão sobre o futuro da paralisação será decidida na assembleia geral marcada para essa sexta-feira (25), em Porto Alegre. Nesta quinta (23), acontecem as reuniões nos 42 núcleos regionais do sindicato. "Estamos vivendo uma situação complicada e até mesmo surreal. Já são 24 meses de salários atrasados, seis anos sem reajustes e não temos garantia de receber o 13º de 2017. Muitos docentes que já haviam feito compras e se endividado tiveram que pagar juros ao Banrisul e o juro deste ano equivale ao 13º. Ou seja: na prática o 13º de 2017 será do banco e não dos professores", ponderou nesta quinta (24) em entrevista a uma rádio da capital. Nesta quarta (23), o governo estadual admitiu a tendência de parcelamento do 13º salário dos servidores do Executivo (entre eles os professores) pelo terceiro ano seguido.