Segurança   01/12/2017 | 08h09     Atualizado em 01/12/2017 | 09h46

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Criminalidade: indulto de Natal pode colocar presos em liberdade e São Marcos precisa ficar alerta

Um dos mais populares ladrões do município já está livre para praticar seus corriqueiros furtos: ’Ele é suspeito de ter furtado bebidas no Big dia 22’, diz promotor, que estuda pedir internação de Buiu

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O fim de ano está chegando e com ele aumentam as preocupações quanto a roubos e furtos a residências e estabelecimentos comerciais em São Marcos. Com a liberação do 13º salário, há mais dinheiro na mão dos consumidores para as compras de Natal e fim de ano. A movimentação acima do normal no comércio deixa os assaltantes ligados e a sociedade, que já carece de segurança nos dias normais do ano, fica apreensiva; ainda mais que diversas pessoas deixam suas casas vazias e rumam ao litoral. Pior é que outro fator soma-se a isso tudo: dezembro é mês de indulto de Natal, quando diversos presos ganham liberdade e saem dos presídios. Mesmo que a Brigada Militar (BM) receba horas-extras e aumente o patrulhamento, não há como impedir que furtos praticados por especialistas reincidentes ocorram. E eles já estão acontecendo. "Após essa última liberdade dele, que aconteceu nos últimos 15 dias, ele já é suspeito de ter cometido furto no Big Burguer em 22 de novembro, a 1h30 da madrugada. Tem registro na Delegacia com imagens que, segundo o proprietário do estabelecimento, comprovariam a autoria por parte do meliante conhecido como Buiu. Mas foto da imagem não é clara", assinala o promotor Público Evandro Kaltbach.

 

No furto, foram levadas bebidas. "O ladrão arrombou porta e janela. Não há convicção de que seja mesmo o Buiu, mas é fato que ele já arrombou várias vezes o estabelecimento", pondera o promotor. Evandro diz que conversou com o delegado da DP local, Luciano Righes Pereira, para "verificar se nesses dias que se passaram após a liberdade da cadeia de fato existe provas de cometimento de crimes por parte dele". "Se realmente existirem provas, vamos juntar essa reiterada prática de crimes e requerer novamente a prisão preventiva dele", anunciou, lembrando que Buiu (Marcos Rogério da Silva) estava em prisão preventiva por furtos praticados em São Marcos nos últimos anos. Segundo Kaltbach, Buiu é réu em quatro processos na Justiça de São Marcos. "Um por crime de furto em 2013, dois de furto em 2016 e um contra a administração da Justiça (provavelmente por desacato) em 2013", informou, ressaltando que ele também possui condenações já transitadas e julgadas em Caxias do Sul.

 

Apesar dos reiterados crimes, Evandro destaca que não há como manter o infrator preso. "Os crimes que ele cometeu são vários. Mas em todos eles não há grave ameaça ou violência às pessoas. Geralmente não é roubo e sim furto, que tem uma pena pequena, em torno de um ano ou dois quando é qualificado. Então os tipos de crime que ele comete não permitem prisão em flagrante e nem preventiva, que só foi decretada por ele ser reincidente e cometê-los reiteradamente. Mas passando algum tempo ele acaba ficando em liberdade e aí o círculo vicioso recomeça", ponderou, salientando que a lei limita a manutenção da prisão do ladrão.

 

’Pratica esses crimes na calada da noite para comprar drogas’

Buiu foi preso pela última vez em julho de 2014 pela Brigada Militar
Buiu foi preso pela última vez em julho de 2014 pela Brigada Militar
Foto: arquivo Jornal L’Attualità

Para acabar com o círculo vicioso do prende e solta - que faz parte da vida de Marcos Rogério, com impactos diretos para a sociedade são-marquense -, o promotor Evandro Lobato Kaltbach disse que estuda solicitar a internação de Buiu no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), em Porto Alegre. "Ele pratica esses crimes na calada da noite pra furtar bebidas, cigarros e outros objetos para trocar por drogas. Diante disso, penso que em processos criminais vindouros poderia alegar insanidade mental pela dependência química dele e a imputabilidade ou semimputabilidade (conforme artigo 26 do Código Penal) dele nesses crimes, para que não seja mais recolhido ao presídio e sim a um instituo psiquiátrico para tratamento", revelou, salientando que essa é "uma situação a se estudar". "A partir do conhecimento de que os crimes que ele comete são decorrência da necessidade de aquisição da droga e falta de dinheiro para tanto, poderia ser instaurado um processo paralelo em apenso (apartado) para averiguar essa situação. Aí se faz uma perícia para atestar ou não se ele tem dependência química, que tiraria o discernimento dele na prática dos crimes, e, dependendo do resultado psiquiátrico, se tomaria essa atitude, enquanto medida de segurança, de internação ao invés de recolhimento no presídio", apontou, ressaltando que isso surge como uma possibilidade e até como uma necessidade.