Alerta   18/12/2017 | 14h53     Atualizado em 19/12/2017 | 08h00

FacebookTwitterPinterestGoogle+LinkedIn

Aranhas: são-marquenses falam de nova espécie, mas médico tranquiliza população: ’Não é veneno que cause morte’

Mensagem no WhatsApp alerta para aparecimento de nova espécie de aranha que estaria circulando pelo município e cuja picada seria fatal: ’É aranha de jardim’, assegura Moschetta

Imagem de aranha foi enviada com alerta no Whatsapp: ´É aranha de jardim’
Imagem de aranha foi enviada com alerta no Whatsapp: ´É aranha de jardim’

Com a chegada do verão aumenta a preocupação em relação a cobras, aranhas e outros animais peçonhentos cujas picadas podem causar problemas de saúde. Em São Marcos, circula informação no WhatsApp alertando a população para ter cuidado com uma espécie de aranha que seria nova e cuja picada poderia ser fatal. "Hoje à tarde aconteceu o 3° caso de picada de aranha em São Marcos. Segundo o médico de plantão essa aranha é uma espécie nova na cidade. Ela habita gramados principalmente, então, se caso encontrarem uma aranha na grama, redobrar a atenção. A picada é suportável, mas o veneno age devagar e quando a pessoa percebe está com dificuldades para respirar  e chega ao desmaio. MUITA ATENÇÃO", destaca a mensagem que circula pelas redes sociais e que foi enviada ao L’Attualità neste domingo (17).

 

Para esclarecer o fato, a reportagem indagou o médico Gilberto Moschetta. Ele disse que não há registro de nova espécie de aranha no município cuja picada seria fatal. "Não é espécie nova, é a popular aranha de jardim (Aranha Lycosa), que é muito comum e sempre existiu. Ela não é agressiva e também não costuma trazer acidentes, porque está no jardim e fica na dela. Claro que com o aumento da temperatura ela aparece mais, entrando em contato com as pessoas e podendo picar", pondera o médico.

 

Moschetta destaca que a picada é dolorosa, mas não fatal. "Essa aranha tem parentesco com a armadeira, que é mais agressiva e seguidamente atendemos casos de picadas no Hospital São João Bosco. O principal sintoma é dor no local da picada, que pode ser intensa. E por causa da dor podem surgir sintomas como suadouro, vômito, tremedeira e palidez, além de sensação de desmaio, dor de cabeça, enjôo e mal-estar. Mas isso não acontece porque o veneno esteja atuando no cérebro, coração ou fígado, é por causa da dor. Essa aranha não tem veneno tóxico para efeito sistêmico que cause morte", salienta Moschetta.

Médico ensina procedimento em caso de picada: ’Cuidado maior com idosos e crianças’

Gilberto ensina o que fazer em caso de picada. "No hospital, dependendo do local ou da intensidade da dor, costumamos fazer injeção de anestésico ao redor. Geralmente é na mão, porque o pessoal vai buscar lenha, recolher lixo do jardim e bota a mão. Daí se faz anestesia no dedo ou na mão, e isso alivia a dor no local. Como o efeito da picada dura até 4 horas, usar anestésico local, que também dura esse tempo, é suficiente pra controlar", aponta.

 

Ele destaca que em casos extremos é recomendável usar medicamentos injetáveis. "Às vezes precisa usar algo injetável, como uma dipirona, e em casos muito extremos vai ter que usar uma dose de morfina. Mas é isso: uma ou duas horas de Pronto Socorro para fazer medicação e observar o efeito do analgésico e passou o problema", assinalou, ressaltando que gelo no local também ajuda, por diminuir a dor e a sensibilidade.

 

Segundo Moschetta, apenas em idosos e crianças o cuidado deve ser maior. "Se for uma picada dolorosa numa criança pequena ou pessoa de muita idade já bastante debilitada os sintomas se tornam mais intensos e pode precisar fazer medicação pra vômito e ter que hidratar o paciente. Nestes casos costumamos segurar a pessoa em observação por mais tempo para repetir a dose de analgésico", comentou.

 

A veterinária Carla Gonçalves dos Reis, da loja Grife dos Bichos, explica porque insetos como aranhas aumenta sua atividade durante o verão. "Geralmente os insetos têm a fase oval/larval no inverno, então no verão emergem os adultos. Elas são mais percebidos no calor porque neste período o metabolismo dos insetos é maior e eles ficam mais ativos. Outro motivo é que esse é o período de reprodução para vários deles, como as aranhas", aponta a veterinária.

´Não são agressivas, mas picam se molestadas ou quando colocamos a mão ou os pés acidentalmente´: explica bióloga Jaqueline Brochetto

Aranha-de-jardim (Lycosasp): ’comuns no nosso dia a dia’
Aranha-de-jardim (Lycosasp): ’comuns no nosso dia a dia’

Já a bióloga da Secretaria de Saúde, Jaqueline Brochetto, destaca que o calor e a chuva contribuem para o aumento da possibilidade de acidentes com animais peçonhentos. "Casos de picadas de aracnídeos tendem a aumentar entre os meses de dezembro e março, período em que esses animais se encontram mais ativos e saem em busca de alimentos. O calor e a chuva também aumentam a possibilidade de ocorrência de acidentes com animais peçonhentos (escorpião, aranha, cobra) porque, na época do verão, eles saem à procura de abrigos secos, que podem ser a nossa casa", observa.

 

A bióloga também falou sobre o comportamento da aranha de jardim. "As aranha-de-jardim (Lycosasp) são aranhas comuns no nosso dia a dia. Seu habitat são gramados, pastos e residências. Ocorrem em todo o Brasil e utilizam o salto para capturar a vítima. Correm rápido quando descobertas. Não são agressivas, mas picam se molestadas ou quando colocamos a mão ou os pés acidentalmente. Costumam cavar galerias onde se refugiam. São aranhas astutas e caçadoras", assinalou, ressaltando que as picadas não representam perigo de vida. "Os acidentes são freqüentes, porém não são graves, não necessitando de tratamento com soro. A picada possui ação local, necrosante, cutânea, produzindo uma ardência no local, sem maiores consequências, sem intoxicação geral alguma, seja do sistema nervoso ou circulatório. Não há perigo de vida", assegura Jaqueline.