Polícia em São Marcos   05/02/2018 | 09h50     Atualizado em 05/02/2018 | 12h32

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2º homicídio de 2018 em São Marcos foi motivado por acerto de contas entre traficantes: suspeito seria do município

Mateus Souza de Souza, de 34 anos, estava em sua casa no bairro Francisco Doncatto com esposa e filho de 1 ano e 3 meses, quando foi morto a tiros por criminosos. Conforme polícia, suspeito de ser o mandante seria de São Marcos

Mateus Souza de Souza, 34, deixou filhos de 15, 11 e 1 ano e 3 meses
Mateus Souza de Souza, 34, deixou filhos de 15, 11 e 1 ano e 3 meses

O tráfico de drogas vitimou a segunda pessoa em cerca de dois meses em São Marcos. Neste sábado, 3 de fevereiro, Mateus Souza de Souza, de 34 anos, estava em sua residência, no bairro Francisco Doncatto, com sua esposa e filho de 1 ano e 3 meses, quando foi atingido por disparos de arma de fogo. Por volta de 12h30, dois homens chegaram em uma moto e invadiram a casa, efetuando cerca de 10 disparos contra Mateus. O Samu foi acionado para atender a vítima, mas ao chegar no local ela já havia falecido. O corpo foi encaminhado para o IML, onde passou por perícia. De acordo com informações da Brigada Militar de São Marcos, Mateus possuía antecedentes por tráfico de drogas e havia sido preso em 2017.

 

Para a polícia de São Marcos, o homicídio se trata de um acerto de contas envolvendo o tráfico. "Tem suspeitas de quem seja o autor, ou o mandante. E é de São Marcos, outro traficante para o qual ele estaria devendo. Foi encaminhado para a Polícia Civil e toda investigação será feita para que se tente chegar ao autor", informou o comandante da Brigada Militar de São Marcos, sargento Eberton dos Santos Pires. O L’Attualità conversou também com uma amigo da família, que também confirmou que Mateus possuía uma dívida com traficantes. "Ele foi preso ano passado e não conseguiu dar a volta, estava devendo R$ 3 mil para uma pessoa. No momento ele só estava ’vegetando’, porque eles não tinham água nem luz dentro de casa. Eles estavam passando necessidades, estavam apavorados, porque ele falava para todo mundo que mais cedo ou mais tarde ele ia morrer", relatou o amigo.

 

Mateus deixou três filhos: uma menina de 15 anos que não reside em São Marcos, um menino de 11 anos e um bebê, do atual casamento. "Ele morava em São Marcos há uns 16 anos. Ele não era assim antes, trabalhava direito, mas era usuário de drogas. Foi ele que procurou essa vida", também revelou. A esposa e filho  de Mateus se mudaram ainda no sábado (3) para outro município.

’A violência começou nos grandes centros e está migrando para cidades pequenas’

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São Marcos está, definitivamente, inserido no contexto da criminalidade no Rio Grande do Sul. Este foi o segundo homicídio registrado em 2018 - o primeiro aconteceu no último dia 21 de janeiro, devido a desentendimentos familiares motivados por divisão de terras - e a segunda morte por envolvimento com tráfico de drogas em cerca de dois meses. Em 3 de dezembro de 2017, Anderson Rodrigues, de 31 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo quando estava em sua residência. O modo operante foi semelhante ao registrado neste dia 3 de janeiro, indicando a atuação de quadrilhas em busca da supremacia no tráfico em São Marcos. Além destas ocorrências, o incêndio que destruiu cinco casas próximo ao Monte Calvário, no dia 3 de maio de 2017, ainda está sendo investigado por suposto homicídio contra duas mulheres que seguem desaparecidas e tinham envolvimento com tráfico (ossos encontrados no local do incêndio foram enviados à perícia no IGP, mas os resultados ainda não foram divulgados).

 

O comandante da Brigada Militar, sargento Eberton dos Santos Pires, ressalta que a violência na Serra gaúcha não está mais concentrada apenas em Caxias do Sul. "A violência começou nos grandes centros e está migrando para cidades pequenas. Quando o crime é reprimido nos grandes centros, eles migram para os menores, é o que está acontecendo em São Marcos. Aumentou muito o cenário de violência na Serra. Tínhamos só Caxias do Sul como um centro de violência", observa. Ele garante que em São Marcos a polícia trabalha intensamente para controlar a criminalidade e principalmente o tráfico de drogas. "Tanto a Polícia Civil como a Brigada Militar estão tentando coibir o tráfico de drogas em São Marcos. Mas é um retrabalho, eu acho que a nossa legislação é muito frouxa, ninguém fica preso, fica um tempo e depois é solto. Dá a sensação de impunidade. c. E isso se tornou uma realidade local", lamenta Pires.