Secretaria de Saúde   28/02/2018 | 14h42     Atualizado em 28/02/2018 | 19h10

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Mãe pede ajuda para que filha receba fraldas geriátricas da Secretaria de Saúde em São Marcos

Silvia Garske gasta R$ 320 por mês na compra de fraldas para sua filha de 7 anos com autismo e paralisia cerebral. Diretora de Saúde diz que fornecedor não entregou fraldas compradas pelo Cisga

Maria Eduarda (E) nasceu com autismo e paralisia cerebral e necessita de fraldas geriátricas
Maria Eduarda (E) nasceu com autismo e paralisia cerebral e necessita de fraldas geriátricas
Foto: arquivo pessoal

Nesta segunda-feira (26) o Jornal L’Attualità recebeu reclamação de Silvia Garske, 37 anos, que há 4 meses não consegue obter fraldas geriátricas na Secretaria Municipal de Saúde de São Marcos (SMS) para sua filha Maria Eduarda, 7 anos. Portadora de autismo e paralisia cerebral, a menina frequenta a Apae desde o primeiro ano de vida. Ela não consegue se comunicar e nasceu com hipotonia, condição que diminui o controle da força muscular e a torna incapaz de controlar os músculos do sistema excretor. "Ela não entende o que é xixi e cocô e, como nasceu com hipotonia, a musculatura dela é muito mais lenta do que o normal", revela a mãe, destacando que sua filha necessita de 8 fraldas geriátricas tamanho M por dia, em torno de 200 unidades por mês.

Conforme Sílvia, até 2017 ela retirava em torno de 180 fraldas por mês na Secretaria Municipal de Saúde (Maria Eduarda possui Unimed pela Apae, mas o plano não concede fraldas). "Como ela usa um pacote por dia e cada pacote custa R$ 16, em média o gasto com fraldas passa de R$ 320 por mês", revela a mãe, dizendo que já no ano passado a quantidade retirada na SMS vinha abaixo do necessário. "E nos últimos 4 meses as fraldas deixaram de ser fornecidas", assinala. 

Maria Eduarda é atendida pela Apae de São Marcos desde 1 ano de vida
Maria Eduarda é atendida pela Apae de São Marcos desde 1 ano de vida
Foto: arquivo pessoal

A situação obrigou a família a reduzir gastos. "Estou tirando de um para cobrir do outro: deixo de comprar uma fruta ou uma verdura para comprar fralda. Ficamos só no básico mesmo, sem comprar roupa e nem sapato", ressalta Silvia, que possui mais um filho de 1 ano e seis meses com seu marido, que é metalúrgico (na família apenas o pai trabalha, pois, a mãe dedica seu tempo aos cuidados com Maria Eduarda). Silvia afirma que outras mães com filhos na Apae enfrentam o mesmo problema. "Na Apae tem várias crianças que ocupam fraldas e também não estão recebendo. Eles (SMS) falaram que o Estado não encaminha, todo mês é uma justificativa diferente", desabafa. 

Diretora de Saúde culpa fornecedor: ’Veio só tamanho G e em quantidade menor’

Conforme a diretora municipal de Saúde Cristiane de Castilhos, a falta de fraldas geriátricas ocorre por problema com o fornecedor. "Foi comprado através do Cisga (Consórcio entre municípios da Serra), que fez pregão eletrônico para fornecedores e o que ganhou esse pregão não está fazendo as entregas). Não tenho informação se realmente faz 4 meses que está faltando, mas mais de um mês eu sei que faz", assinala. Ela diz que o Cisga já foi notificado do problema pela prefeitura de São Marcos e também por outros municípios. "Daí o Cisga notificou o fornecedor, que disse que estava recebendo a carga e estaria entregando. Veio essa semana só o tamanho G e em quantidade insuficiente, a menos que constava na nota", revelou.

Cristiane disse ao L’Attualità que na tarde desta quarta-feira (28), a secretária municipal de Saúde Rosa Fontana foi a Garibaldi na reunião do Cisga e que lá ela iria "colocar a situação para que aconteça uma solução". "A prefeitura não pode comprar fora do consórcio. É o Cisga que precisa bloquear o fornecedor e, com base na lei das licitações, passar para o segundo menor preço, que está resolvido o problema. Mas essa é uma decisão que o Cisga tem que tomar e não a Secretaria Municipal de Saúde", salienta a diretora Cristiane. Ela explica que as fraldas geriátricas são distribuidas para cerca de 80 pessoas no município e são retiradas na Sala 30 do Centro Municipal de Saúde, com a farmacêutica Maria Cândida. "São distribuídas fraldas para adultos que têm algum problema de saúde e que necessitem do uso de fralda", ressalta, observando que o setor também concede medicamentos especiais fornecidos pelo Estado (via processo judicial).