Alho   05/03/2018 | 15h27     Atualizado em 07/03/2018 | 10h39

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Baixo preço do alho preocupa produtores de São Marcos: ’É um dos piores anos na história’

Agricultores reivindicam ação de líderes sindicais e agentes políticos são-marquenses: ’É uma situação muito triste, não sabemos o que fazer e precisamos de orientação’

Entrada do alho argentino com preço baixo ameaça trazer sérios prejuízos a produtores são-marquenses
Entrada do alho argentino com preço baixo ameaça trazer sérios prejuízos a produtores são-marquenses

Foto: arquivo Jornal L’Attualita

O alho é de qualidade, mas o preço não compensa. Vendido a menos de R$ 5 o quilo, o alho colhido em São Marcos no final de 2017 segue nos galpões neste início de 2018 à espera que o valor melhore e seja viável comercializá-lo. "Os agricultores estão apavorados. Muitos venderam a R$ 2 o quilo (na média da lavoura) e isso não chega nem perto do custo de produção. É uma situação muito triste e como as lideranças sindicais e as entidades estão calados, o agricultor fica sem posição. Daqui a pouco acaba o período de comercialização e tem que começar a se preparar para plantar, mas não sabemos o que fazer e precisamos de uma direção e orientação", reivindica o produtor Agenor Antônio Biondo. Plantador de alho há mais de 20 anos, ele cultiva lavoura de aproximadamente 4 hectares na Linha Ilhéus. Pelo que disse, a situação é grave e requer medidas urgentes. "É um dos piores anos que já teve na história. Uma vez teve um ano ruim como esse e o as entidades promoveram um movimento que parou a BR-116. Foi queimado alho e depois desse protesto melhorou a situação", recorda o agricultor.

Conforme apurou o L’Attualità, diversos produtores estão alarmados e indignados. "Vários agricultores estão revoltados com essa situação. Tem os Maurina, os Menegon e outros produtores que estão indignados e preocupados. Uma das coisas que está deixando a gente assim é que não estamos tendo ajuda dos líderes sindicais", comentou, revelando que nesta terça-feira (7) o presidente da presidente da Agapa, Valdir Bueno,  será entrevistado na rádio local a pedido dos agricultores. "Os produtores venderam pouco e estão segurando o alho nos galpões esperando o preço melhorar. Mas desse jeito é capaz de sobrar alho, porque o preço que está não cobre as despesas’, reforça o produtor.

’Alho argentino está atrapalhando demais’

O comerciante de alho Oneide Fredrez diz que um dos principais problemas é a entrada de alho argentino a preço muito baixo. "O alho argentino está nos atrapalhando demais. Está entrando alho a R$ 5 o quilo posto em São Paulo e isso é um valor muito baixo", aponta Oneide, salientando que R$ 5 o quilo não paga o custo de produção. "Teria que ser de R$ 6 pra cima para pelo menos pagar o custo", observou. Fredrez explicou que a Argentina iria mandar parte de sua produção para a Europa, mas, devido a problemas, a carga não ingressou no mercado europeu e veio parar no Brasil. "Está péssimo. Esse ano tem a questão da renovação da taxa antidumping (que incide sobre a importação do alho da China), mas o alho chinês até nem atrapalha tanto, mais é o argentino. E como o alho do centro do país eles seguraram bastante em câmara fria e estão vendendo junto com o nosso, complica ainda mais a comercialização", ponderou, lembrando que devido ao livre comércio entre países do Mercosul não há como barrar a entrada do alho do país vizinho. "A comercialização do nosso alho vai até junho e a expectativa é que melhore daqui uns 60 dias; mas, se o produtor esperar muito para vender, o alho perde peso e qualidade", alerta Oneide Fredrez.