Economia   07/03/2018 | 10h01     Atualizado em 07/03/2018 | 15h53

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Empresários são-marquenses avaliam medida de Trump que taxou entrada de aço e alumínio nos EUA

Valderez Rodriguez, da Fado, e Valmir Scopel, da Rovali, falam da medida anunciada em 1º de março que poderá repercutir nas empresas metalmecânicas de São Marcos e região: ’Tomara que baixe o preço, ano passado aumentou 30%’

Medida adotada por Trump causa preocupação: 32% do aço produzido no Brasil é exportado para os EUA
Medida adotada por Trump causa preocupação: 32% do aço produzido no Brasil é exportado para os EUA

Foto: apenas ilustrativa

O anúncio feito pelo presidente dos EUA Donald Trump na quinta-feira da semana passada, 1º de março, sobre a taxação da entrada de aço e alumínio em território norte-americano causou impacto em diversos países que produzem a matéria-prima. Um deles é o Brasil, segundo maior exportador de aço aos EUA e que no ano passado vendeu 4,7 milhões toneladas, ficando atrás apenas do Canadá, que comercializou 5,8 milhões toneladas com os americanos em 2017. Conforme o Instituo Aço Brasil, que reúne as principais empresas do setor, 32% do aço exportado pela indústria brasileira tem como destino os Estados Unidos. É por isso que a taxação de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados pelos EUA causou alvoroço nas siderúrgicas brasileiras. Também os empresários do ramo metalmecânico demonstram preocupação com a medida, justificada por Trump como necessária para proteger a indústria nacional de seu país. Na avaliação dos siderúrgicos, a indústria brasileira poderá perder espaço não só nos EUA, mas também na venda a outros países e, inclusive, no mercado interno, pois os países afetados pela medida (entre eles grandes produtores como Rússia, Coréia, China e Japão) buscarão destinar suas vendas a outros consumidores, o que resultará em pressão comercial sobre as siderúrgicas brasileiras.

Mas também há o outro lado da moeda: essa maior concorrência no mercado brasileiro poderá baixar o preço da matéria-prima, que no ano passado teve reajuste em torno de 30%, causando forte impacto nas indústrias metal-mecânicas, como destacou o empresário Valderez Rodrigues, da Fado. "Tomara que baixe o preço, porque ano passado aumentou 30% e o impacto foi pesado, porque o aço é nossa principal matéria-prima e não conseguimos transferir esse aumento para frente", comentou. Ele entende que a taxação determinada pelo governo norte-americano poderá fazer com que sobre matéria-prima no mercado brasileiro no curto ou médio prazo. "Levando em conta a lei da oferta e procura, isso pode fazer com que o aço tenha redução no mercado interno. Inclusive já aconteceu de ter reajuste alto num ano e depois as usinas baixarem o preço. Isso é uma gangorra e nós, empresários, ficamos suscetíveis à imposição, não há alternativa e por mais que se esperneie e se busque apoio junto às entidades de classe, pedindo controle do governo sobre as usinas, o próprio governo tem participação nas usinas e tem seus interesses", assinalou, ressaltando que é interessante a mídia e as entidades de classe promoverem debate sobre o assunto com economistas e empresários.

Já o empresário Valmir Scopel (Marronzinho), da Rovali, acredita que as medidas são ruins para o Brasil e para as empresas do ramo metalmecânico. "As usinas com certeza vão repassar esse custo para nós, que já estamos pagando parte desses custos, pois a matéria-prima (aço) não para de subir e todos os meses temos reajustes", destacou. Mesmo que a dificuldade em exportar aos EUA possa gerar sobra de aço no mercado brasileiro, Marronzinho acredita que haverá aumento no custo de produção, que será repassado pelas usinas. "A produção de aço está na mão de poucos e com certeza aumentando o custo da produção eles diminuem a oferta no mercado para poder agregar preço. Já estão fazendo isso e nós temos que pagar o que eles querem", avalia o empresário.

Entre os 10 maiores exportadores de aço para os EUA, além de Brasil e Canadá, estão outros parceiros tradicionais do país, como Coréia do Sul (3º), México (4º), Japão (7º) e Alemanha (8º). Países como Rússia (5º) e Turquia (6º) também figuram na lista dos principais exportadores do produto. A China, apesar de ser apenas a 11ª exportadora de aço para os EUA, reponde por 50% da produção mundial e tem uma capacidade instalada ainda maior, de mais de 400 milhões de toneladas, o que poderia inundar os mercados de todos os países com o produto. No caso do alumínio, a decisão dos EUA de sobretaxar o produto em 10% pode frustrar a expectativa da indústria brasileira do crescimento previsto para este ano, após três anos de quedas sucessivas nas vendas para o mercado interno entre 2015 e 2017. Conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as indústrias de aço e alumínio empregam mais de 200 mil trabalhadores no Brasil.