SAMU   16/03/2018 | 15h00     Atualizado em 16/03/2018 | 16h12

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Em São Marcos demora nos atendimentos do Samu gera reclamação: ’Ligamos pra Central e esperamos meia hora’

Professora relata casos ocorridos em fevereiro no qual Samu levou meia hora para chegar ao local dos atendimentos devido à demora na central de regulação em POA. ’Por que São Marcos não está ligado à Caxias?’, questiona educadora

Casos de urgência chegam a demorar meia hora para serem atendidos pela Central
Casos de urgência chegam a demorar meia hora para serem atendidos pela Central

Foto: ilustrativa

A situação é antiga, mas os casos são atuais. A demora nos atendimentos do Samu devido ao tempo de espera na Central de Regulação de Porto Alegre (a qual São Marcos está ligado) gera apreensão, descontentamento e reclamações por parte de são-marquenses que necessitam do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Como os casos são literalmente de vida ou morte, os segundos (geralmente minutos) perdidos deixam as pessoas aflitas e indignadas. Uma delas é a educadora Rúbia Studzinski Rizzon, 34 anos. Professora de Educação Física das escolas estaduais Francisco Doncatto e Maranhão, ela entrou em contato com o L’Attualità neste começo de março para relatar dois casos ocorridos no final de fevereiro que escancararam um problema que remonta a 2010, quando o Samu foi implantado em São Marcos. Conforme o relato da professora, em dois atendimentos que ela presenciou a ambulância demorou aproximadamente 30 minutos para se deslocar algumas quadras e chegar ao local onde os pacientes agonizavam.

O primeiro caso aconteceu na Escola Municipal Francisco Doncatto, em 27 de fevereiro. "Estávamos numa reunião de pais e uma menina de 18 anos convulsionou. Prestei os primeiros socorros, mas em dez minutos ela convulsionou de novo e começamos a ligar para o Samu. Só que a ligação cai na Central em Porto Alegre e demorou mais de 28 minutos. Inclusive tinha uma pessoa da Secretaria de Saúde que estava na reunião e tentou por outros meios, mas também não conseguiu", relatou, salientando que, após a chegada, o serviço prestado foi excelente. "O problema é conseguir ser atendido e o tempo perdido", frisa Rúbia. "Outro aspecto importante é que numa escola poucos professores sabem prestar os primeiros socorros. Eu sei porque fui atrás, mas entendo que os professores poderiam ter um curso de formação para estarem preparados, porque seguidamente acontecem casos onde é necessário saber prestar os primeiros socorros", pondera a professora.

Rúbia disse que no dia seguinte presenciou caso semelhante em que mais uma vez o Samu demorou em torno de meia hora para chegar ao local. "Dessa vez uma mulher começou a passar mal no Centro Espírita. Ela amoleceu e ia desmaiar. Prestei os primeiros socorros e pedi para ligarem ao Samu, porque ela vomitou e começou a apresentar sinais de infarto e AVC. A menina que ficou com o telefone esperou 36 minutos para conseguir ser atendida na Central", descreveu. A professora questiona porque a ligação para o Samu de São Marcos cai na central de Porto Alegre se há uma em Caxias. "O Samu de São Marcos deveria estar ligado à Central de Caxias. Até os enfermeiros comentaram isso, dizendo que o trabalho deles também fica prejudicado e quando eles precisam prestar contas dos atendimentos a médico de Porto Alegre também ficam um tempão esperando no telefone", observou, revelando que atendente do Samu de São Marcos que também atua em Caxias teria informado que no município vizinho o tempo médio de espera é de 8 minutos.

Coordenadora do Samu de São Marcos está de atestado médico

Diante dos questionamentos da professora Rúbia Studzinski, o L’Attualità entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, mas foi informado que a Coordenadora do Samu está de atestado médico e ainda sem data prevista para retornar. Com isso, não foi possível obter dos gestores públicos uma resposta sobre o motivo que impede São Marcos de estar ligado à Central de Caxias e se isso realmente resolveria o problema da demora para os atendimentos na Central de Regulação, pois no município vizinho também há relatos de demora na transferência das ligações ao médico regulador. A reportagem apurou que os próprios enfermeiros do Samu de São Marcos consideram a situação prejudicial, pois se sentem num "fogo cruzado". Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, a Central de Regulação do Samu atende a 243 municípios do interior do Estado, por meio de 146 bases do serviço. Os municípios de Porto Alegre, Pelotas, Bagé e Caxias do Sul possuem centrais de atendimento próprias. Em 2017 o número 192 recebeu em torno de 5 mil chamados por dia.