Hospital Geral   10/04/2018 | 09h55     Atualizado em 10/04/2018 | 11h24

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Déficit do Hospital Geral pode levar ao fechamento de 50 leitos

Desequilíbrios entre receita e despesas do Hospital Geral de Caxias do Sul devem chegar a R$ 7 milhões até o final do ano. Presidente do Conselho Diretor da FUCS prometeu esforços para sanar o déficit

Presidente do Conselho Diretor da FUCS concedeu entrevista coletiva e informou possível fechamento de leitos
Presidente do Conselho Diretor da FUCS concedeu entrevista coletiva e informou possível fechamento de leitos

Considerado referência na região, o Hospital Geral de Caxias do Sul atende à população de 49 municípios da região e tem um custo mensal de aproximadamente R$ 8,5 milhões para manter seus procedimentos. Em entrevista coletiva na última sexta-feira, 6 abril, o presidente do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Caxias do Sul (FUCS), professor Ambrósio Luiz Bonalume, demonstrou que desequilíbrios entre receita e despesas do Hospital Geral devem chegar em R$ 7 milhões, até o final de 2018. Caso o problema não seja revertido a tempo, será necessário o fechamento de leitos da instituição hospitalar. "Nós vamos fazer todo o esforço que for possível nos próximos 60 dias para conseguir junto ao poder público sanar o déficit de R$ 7 milhões previstos para o HG neste ano. Mas, se não conseguirmos esse recurso, nos próximos 60 dias, contados a partir de hoje (dia 6 abril), nós teremos que fechar leitos do hospital", alertou Bonalume durante a entrevista.

O presidente do Conselho Diretor da FUCS indica que poderão ser fechados cerca de 50 leitos do HG, o que representa uma redução de aproximadamente 23% da capacidade de atendimento da instituição. "Esse fechamento será infelizmente necessário, sob pena de comprometermos a saúde financeira da Fundação e da própria Universidade", alertou. Ele reforçou, ainda, que a medida será necessária porque não há mais como as despesas geradas pelo custeio do hospital serem abatidas com recursos provenientes da arrecadação de outras atividades da Fundação. Bonalume informou que em 2017 o déficit orçamentário da instituição hospitalar alcançou R$ 5,9 milhões e precisou ser pago com receitas obtidas a partir das mensalidades dos acadêmicos da Universidade de Caxias do Sul ou por meio de serviços terceirizados pela Instituição de ensino.

O fechamento de leitos do hospital prejudicará a população de vários municípios da região, inclusive São Marcos. Em 2017 o HG recebeu 12 mil internações, sendo feitos mais de 18 mil atendimentos na radioterapia, zerando a fila de espera dos pacientes. Além disso, o Hospital Geral tem é de grande relevância para a comunidade acadêmica, pois funciona também como Hospital-Escola para os cursos de saúde da Universidade de Caxias do Sul. Ao todo, 600 alunos realizam, por mês, atividades junto à instituição e, para isso, a UCS encaminha recursos mensais como forma de pagamento pelos estágios ali efetuados.

Fim de repasses públicos gerou dificuldades financeiras

A Fundação Universidade de Caxias do Sul realiza a gestão do Hospital Geral desde sua criação, em 1998. Daquele ano até 2008, o Estado do Rio Grande do Sul repassava recursos para a folha de pagamento do HG e também valores que eram colocados em uma reserva técnica para despesas eventuais. A partir de 2008, esse contrato era renovado anualmente, mas o reajuste levava em conta apenas a correção da inflação e, com o tempo, o valor da folha de pagamento se tornou superior ao aportado pelo Governo do Estado. Para compensar a defasagem, os hospitais filantrópicos gaúchos passaram receber R$ 500 mil por mês. Com esse aporte, o Hospital se mantinha equilibrado até 2015. A partir de 2016, o Estado, por não ter verba prevista no orçamento, deixou de encaminhar os R$ 6 milhões anuais. Naquele momento, o Conselho Diretor da Fundação definiu que para reorganizar as receitas e as despesas do HG fosse feito o fechamento de leitos. Na época, o prefeito Alceu Barbosa Velho utilizou R$ 4,3 milhões que seriam destinados à construção do Hospital Maternoinfantil para o custeio da entidade hospitalar. A prefeitura também destinou mensalmente, de setembro de 2016 a fevereiro de 2017, R$ 250 mil, obtidos a partir da lei que fez a repatriação de capitais no exterior.

O prefeito Daniel Guerra, que assumiu a prefeitura em janeiro do ano passado, renovou os repasses de março a maio de 2017, o que não se repetiu nos meses seguintes. "Eu e o reitor da UCS, professor Evaldo Antonio Kuiava, estivemos reunidos com o prefeito, solicitando nova composição de valores para evitar o déficit. O prefeito falou que era obrigação do Estado sanar as dificuldades do Hospital Geral", explicou Bonalume durante a entrevista coletiva nesta sexta-feira (6). Atualmente, a única receita mensal proveniente do município de Caxias do Sul é de uma verba de R$ 214 mil mensais, repassados desde 2009. "Nós temos vários serviços contratualizados com o município, mas não há recomposição de valor", explicou o presidente do Conselho Diretor. Ele destacou que 85% das internações do Hospital Geral se destinam a moradores da cidade.

Em 2017, o déficit do HG ficou em R$ 5,9 milhões, e para 2018, a previsão inicial era que alcançasse os R$ 9 milhões. Com esforços do Conselho Diretor e da direção do Hospital, recursos foram buscados neste primeiro semestre, e o que se conseguiu até agora é a redução da previsão para R$ 7 milhões. Por meio de emenda parlamentar do deputado federal Mauro Pereira, obteve-se o repasse de R$ 1 milhão; outro R$ 1 milhão foi conseguido a partir do aumento de um repasse federal para auxílio de hospitais 100% SUS.