Polícia   13/04/2018 | 16h59     Atualizado em 13/04/2018 | 17h25

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Prisão por engano: aposentado são-marquense passa 3 dias no presídio por crime de estelionato cometido há 18 anos em município catarinense

Advogado destaca inocência do réu e aponta equívoco na prisão efetuada pela polícia são-marquense em cumprimento a mandado da comarca de Videiras (SC): ’Vamos provar que ele foi vítima de informação equivocada da polícia e MP’

Advogado Vanderlei Rech já recolheu provas sobre equívoco e apresentará à Justiça
Advogado Vanderlei Rech já recolheu provas sobre equívoco e apresentará à Justiça

Foto: Jornal L’Attualità

Um aposentado são-marquense preso pela Polícia Civil de São Marcos no último dia 4 de abril pode ter sido vítima de um equívoco cometido pelo Ministério Público do município de Videiras (SC). Acusado de estelionato em caso ocorrido há 18 anos, o homem de 58 anos foi surpreendido quando estava em sua residência e recebeu a visita dos policiais. Seu espanto aumentou quando foi informado de que havia um mandado de prisão e de que seria conduzido ao presídio do Apanhador, em Lageado Grande, onde ficou três dias. Só saiu da cadeia porque seus familiares contrataram um advogado, que conseguiu convencer o juiz de Videiras a deixar seu cliente em liberdade para responder ao processo. "Essa pessoa, que mora em São Marcos há 34 anos, na semana passada inesperadamente recebeu a presença da Polícia Civil em sua casa informando que ele estava preso. Foi à Delegacia e lá comunicaram a situação sobre um crime de estelionato (artigo 171 do Código Penal) ocorrido em Videira (SC) em 2000. É um lugar onde ele nunca foi e nem sabe onde é. Há série de indícios de que ele não cometeu esse crime e o juiz compreendeu nossa alegação e acolheu o pedido da defesa, autorizando que ele responda ao processo em liberdade. Agora vamos provar que ele é inocente e foi vítima de uma informação equivocada da polícia e do promotor de lá, que ofereceu denúncia com elementos de provas insuficientes", aponta o advogado Vanderlei Rech.

Conforme Vanderlei, o inquérito tem 200 páginas e só uma vez foi citado o nome de seu cliente. "A investigação neste caso falhou, porque alguém referiu um nome e nem o delegado de lá indiciou ele. É um caso de 18 anos atrás e que na época a pessoa foi lesada nuns R$ 5 mil. É relacionado a uma carga de madeira: quem comprou a carga não depositou o dinheiro e o proprietário acionou a polícia, que passou a investigar o caso. Só que houve um grande equívoco, porque esse são-marquense é casado, tem filhos, não possui nenhum antecedente criminal e antes de vir a São Marcos só morou em Lages (SC), de onde é sua esposa e que fica a 250 km da cidade onde ocorreu o fato. Então é uma pessoa inocente e que pagou por uma situação que não cometeu", frisa Vanderlei. O advogado salienta que após conseguir a liberação de seu cliente, tirando-o do presídio, passou a apurar as circunstâncias de como ocorreu o caso. "Pegaram o motorista que transportou a carga e ele nem citou o nome do meu cliente. Quem citou o nome dele foi uma testemunha. Da quadrilha ninguém foi preso, apenas o motorista foi processado, mas meu cliente nem conhece ele, que é inocente e acabou sendo confundido com alguém. Com certeza vamos resolver isso da melhor forma, porque já recolhi elementos para provar que foi um erro", assegura Vanderlei.

’Nunca imaginei passar por isso na minha vida’

Segundo o advogado Vanderlei Rech, no caso ocorrido em 2000 uma "quadrilha organizada resolveu comprar carga de madeira e se comprometeu em fazer o depósito". "Não fizeram o depósito e a vítima sentiu que perdeu a carga e começou a ir atrás. Encontraram pessoas e o nome do meu cliente foi envolvido. Presumo que pode ter havido uma confusão com alguém do mesmo nome e estamos investigando isso", afirmou. Questionado pelo L’Attualità sobre a situação, o aposentado são-marquense disse "não saber como isso aconteceu". "Parece que citaram meu nome lá. Precisaria haver uma intimação antes, mas quando vi já veio o policial com o mandado de prisão. Nem conheço essa cidade onde aconteceu o fato e no mesmo dia que me levaram minha família foi atrás de pegar um advogado. Vamos deixar ele encaminhar as coisas", assinalou, revelando que no Apanhador ficou em cela conjunta com outros presos. Ele frisou que não sabe como foi envolvido no caso. "Parece que quem comprou a madeira não pagou e usaram meu nome. Não sei como isso aconteceu. Na época trabalhava numa empresa de Caxias e nem sei o que dizer. Nunca imaginei passar por isso na minha vida", lamenta o são-marquense.