Morte de criança   14/05/2018 | 11h28     Atualizado em 14/05/2018 | 16h20

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Mais uma morte de criança em São Marcos: bebê de 8 meses entrou em óbito no HG neste sábado (12)

Criança foi levada ao Hospital São João Bosco após aspirar refluxo e ter parada cardiorrespiratória. Ela passou por procedimento de emergência e foi encaminhada ao Hospital Geral de Caxias do Sul, mas veio a falecer horas depois

Bebê de 8 meses foi transferido a Caxias com médico em ambulância da prefeitura
Bebê de 8 meses foi transferido a Caxias com médico em ambulância da prefeitura
Foto: Angelo Batecini

Uma semana após a morte do menino Nicolas Benhur Alves Orquis, de 7 anos - ocorrida no dia 4 de maio, após sofrer uma convulsão na escola -, no último sábado, 12 de maio, São Marcos registrou mais uma morte de criança. Um bebê de 8 meses precisou passar por procedimento de emergência no Hospital Beneficente São João Bosco após sofrer parada cardiorrespiratória. O menino teria sido amamentado pela avó na madrugada de sábado (12), porém sofreu refluxo e acabou aspirando o líquido, que foi para os pulmões e gerou a perda da respiração. De acordo com informações do Hospital São João Bosco, o paciente foi socorrido pela médica plantonista, Dra. Alessandra Bassani, que fez o procedimento de emergência para reanimação e entubação. "A criança voltou a respirar, mas com o pulso fraco", conta o médico Luis Almeida, chefe da equipe médica Ambra, que assumiu o plantão médico do HSBJ  (CORREÇÃO: no parágrafo acima foi informado que a médica plantonista seria a profissional Alessandra Martinelli, contudo, a informação obtida junto ao Hospital São João Bosco na mnahã desta segunda-feira, 14 de maio, continha equívoco quanto ao sobrenome, sendo que o nome correto da plantonista que atendeu o caso é Alessandra Bassani).

Segundo Luís, após a reanimação, a médica conseguiu leito na UTI do Hospital Geral, em Caxias do Sul. Para o transporte da criança seria necessária, conforme informa o médico, a UTI móvel da ResgateSul, que tem contrato com a prefeitura de São Marcos para estes casos, já que o Samu não realiza transferências de pacientes para outros municípios. "Essa empresa disse que demoraria de três a quatro horas para montar a equipe e mandar para São Marcos. Então, como era caso de emergência, a médica me ligou. Eu estava na minha casa em Caxias e cheguei em São Marcos às 6h30. Pedi a ambulância normal da prefeitura e acompanhei a criança", descreve o médico Luís Almeida, lembrando que foi acompanhado de uma enfermeira, de uma tia do bebê como responsável. "A criança estava entubada, com ventilação mecânica. Levei no colo, estava tudo certinho e ela só precisava de oxigênio. Demoramos menos de 30 minutos para chegar no HG", lembra.

Já na UTI do Hospital Geral, segundo Luís, os médicos reavaliaram o paciente, identificando novamente a fraqueza nos batimentos cardíacos. "Lá a médica fez mais um procedimento de reanimação e a criança ficou estável, ficou com o respirador e a aparelhagem da UTI", relata o médico. Algumas horas após a entrada na UTI, por volta das 11 horas da manhã de sábado (12), a criança entrou em óbito. Luis destaca que todos os atendimentos necessários foram feitos e não foram identificadas falhas nos procedimentos. "Fiquei muito triste, foram duas crianças em duas semanas. Mas não vi nada que estivesse errado, são fatalidades e não tinha como ser diferente", lamenta.

Caso Nicolas: ’A médica não podia deixar o plantão sozinho’

De acordo com informações do médico Luis Almeida, os procedimentos no atendimento de Nicolas Benhur Alves Orquis, de 7 anos, que morreu na noite de sexta-feira (4), também foram realizados conforme o previsto. Diante da principal crítica da família devido à ausência de médico na ambulância que transportou o menino até Caxias do Sul, Luis ressalta que o plantonista não poderia deixar o Hospital. "A médica que estava no plantão aqui não poderia sair e deixar o plantão sozinho. E a ambulância que a prefeitura contrata com médico iria demorar para vir", reforça, destacando que pouco tempo antes de ser encaminhada para Caxias, a criança estava em estado estável. "Antes a criança já estava estável, estava respirando bem. Então tentaram levar só com a enfermagem, com procedimento comum. Mas a criança piorou demais na viagem", observa o médico plantonista do Hospital São João Bosco, Luís Almeida.

Luis afirma, ainda, que, por apresentar condições estáveis de saúde, o médico teria cogitado dar alta a Nicolas, mas preferiu deixá-lo em observação. "Ele tinha ficado tão bem que o médico chegou a cogitar dar alta para casa, mas deixou por questão de cautela", conta. Por esse motivo, também, a tomografia teria sido adiada. "Não foi feita tomografia porque a criança melhorou. O médico deixou para fazer no outro dia com mais precisão", justifica. Entretanto, por volta das 21 horas de sexta-feira (4), o estado de saúde teria piorado, assim tomou-se a decisão de encaminhá-lo para Caxias. "A criança começou a piorar bruscamente, por isso a médica suspeitou de alguma coisa na cabeça e foi conseguido leito em Caxias. Ela não foi colocada na UCI porque ia ser avaliada pelo neurologista e porque não tinha entrado em parada respiratória aqui em São Marcos. Foi no meio do caminho", esclarece o médico Luís Almeida.

O médico afirma que Nicolas já estaria sendo acompanhado pela Secretaria Municipal de Saúde. "Essa criança provavelmente tinha uma má formação intravenosa, tanto que ela vinha em investigação com a Secretaria, e já tinha sido solicitada a tomografia. Ela tinha histórico prévio de convulsão, não era de agora, mas essa criança vem de outra cidade", comenta.