14/05/2018 | 20h18     Atualizado em 14/05/2018 | 20h31

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Crise do alho: Câmara de Vereadores de São Marcos promove audiência pública neste dia 22 de maio

Encontro na próxima terça-feira (22) reunirá produtores e líderes de entidades rurais da região na busca de alternativas para enfrentar uma das mais graves crises do setor. Deputados dispostos a auxiliar os agricultores familiares estão convidados

Conforme Emater, 35% do alho colhido em 2017 continua nos galpões: ’Não tem preço e nem venda’
Conforme Emater, 35% do alho colhido em 2017 continua nos galpões: ’Não tem preço e nem venda’

No momento em que os agricultores são-marquenses se preparam para iniciar o plantio da safra de alho 2018, a Câmara de Vereadores do município promove audiência pública para debater a crise que afeta o setor. É no próximo dia 22 de maio, às 18h, no Plenário Alcides José Rech, quando produtores e líderes sindicais de entidades rurais da região buscarão alternativas para enfrentar uma das mais graves crises que afeta a comercialização do produto nacional. "Sem dúvida é uma das piores. Em 1997 teve uma grave, mas essa é uma das mais preocupantes", assinala o técnico agrícola da Emater de São Marcos, Eri Zanella. Um dos pioneiros no plantio do alho em São Marcos nos anos 1990 e responsável por incentivar os produtores a investir na cultura, o técnico da Emater destaca que a situação, que já era ruim em abril, agravou-se em maio. "Piorou mais ainda. Em abril o quilo estava valendo em média um real abaixo do número (alho 6 valendo R$ 5), mas agora está em torno de R$ 1,50 abaixo (alho 6 valendo R$ 4,50). Na média da lavoura o produtor vai quando muito pegar uns R$ 3 (ao quilo)", informa Eri, ponderando que o preço não cobre as despesas e representa prejuízo aos agricultores.

Com parte do alho ainda dependurado nos galpões ou estocado em pavilhões de comerciantes, a espera de preço e compradores, diversos produtores se deparam com a perspectiva de ter que jogar fora o alho colhido no final do ano passado. "O problema é que o alho está começando a brotar e, se não vender, vai acabar sobrando. Pelo jeito que vai a coisa, uma parte (da safra) será perdida. E o resto o produtor vai ter que vender a preço baixo, se conseguir achar quem compre", aponta Eri Zanella. Ele revela que em torno de 35% do alho colhido em 2017 - quando a safra são-marquense chegou a mais de 2 milhões de quilos, numa área de aproximadamente 220 hectares - ainda não foi comercializado. "Não tem preço e nem venda", observa. Zanella entende que a audiência da próxima terça (22) é o momento de conversar para encontrar saídas. "Vamos falar sobre a comercialização do alho no Brasil e as importações, que é esse o problema: entrou alho demais da Argentina, está entrando da China com liminar judicial que libera de pagar a taxa (antidumping) e desse jeito não tem como", observa o técnico agrícola.

’Precisa controlar importação’: audiência visa a planejar próxima safra e frear entrada de alho estrangeiro

A audiência, que é aberta ao público e será promovida a partir de requerimento do vereador Fúlvio Pessini (MDB), terá presença de presidentes de Sindicatos Rurais da região. Foram convidados, entre outras autoridades, o presidente da Agapa (Associação Gaúcha de Produtores de Alho), Valdir Bueno, e a gerente regional da Emater, Sandra Dalmina. Deputados dispostos a auxiliar os agricultores são-marquenses (além do alho, a uva também não rendeu o esperado, com diversos produtores recebendo abaixo do preço mínimo estabelecido pela tabela da Conab) também estão convidados a participar do encontro. E em ano eleitoral espera-se que eles fiquem ainda mais sensíveis ao setor responsável por 70% do alimento produzido no Brasil, mas que, ao contrário do agronegócio (grandes plantadores de soja e outras commodities agrícolas), carece de representação no Congresso Nacional. "A agricultura familiar precisa de ajuda e o apoio deles é fundamental, porque temos que planejar as próximas safras e achar uma maneira de controlar as importações", pondera Eri Zanella.

O técnico agrícola da Emater revela que neste ano houve aumento de 65% na importação de alho da Argentina. "Precisa disciplinar a importação. O governo tem que dizer quanto vai importar para o produtor se organizar", observa Zanella. Além da entrada do alho argentino e do chinês com liminar que isenta de pagar taxa, outro problema apontado por Eri é o alho do Centro-Oeste, que neste ano foi colocado em Câmara Fria, com parte da safra vendida junto com a do Rio Grande do Sul. "Normalmente o alho do Centro-Oeste é vendido de setembro até o final do ano e o nosso, entre janeiro e junho. Mas neste ano não foi assim. E para a próxima safra tem notícia de que a área plantada no Centro-Oeste vai aumentar, superando bastante os 8 mil hectares do último ano. No Brasil, a perspectiva é de que a área aumente de 11 para 14 mil hectares", informou, salientando que o cenário não se mostra positivo, exigindo que o governo organize o mercado. Segundo Zanella, em São Marcos a perspectiva é de que a área plantada em 2018 siga em torno de 200 hectares, praticamente o mesmo patamar do ano passado. "Apesar desse cenário ruim os produtores vão seguir plantando. Percebemos isso pela quantidade de semente colocada para vernalizar na Câmara Fria", comentou Zanella.