Educação   20/07/2018 | 17h23     Atualizado em 20/07/2018 | 20h09

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Professoras realizam reunião para discutir situação de escola do distrito de Criúva que corre o risco de ser fechada

Escola de séries iniciais Irmão Pedro, localizada em São Jorge da Mulada, existe desde 1945. Reunião acontece nesta sexta (20), no salão da comunidade

Diretora e professoras da Escola Irmão Pedro estiveram na redação do L´Attualità nesta sexta (20)
Diretora e professoras da Escola Irmão Pedro estiveram na redação do L´Attualità nesta sexta (20)

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Irmão Pedro, localizada em São Jorge da Mulada, no distrito de Criúva, corre o risco de ser fechada. Durante reunião na Promotoria de Justiça Regional da Educação de Caxias do Sul, no último dia 3 de julho, com a presença do Conselho Municipal de Educação de Caxias do Sul, Secretaria Municipal de Educação e Coordenadoria de Educação da 4ª CRE, houve a proposta de uma nucleação escolar, com o objetivo de transferir as turmas das escolas rurais Irmão Pedro e Aristides Rech (situada no bairro Santa Catarina em Caxias do Sul) para a Escola Estadual de Ensino Médio João Pilati, localizada no centro do distrito de Criúva. Conforme revelaram a diretora da escola Irmão Pedro, Adriana Fantin, e as professoras Maristela Bertolazzi Niemezewski e Claudia Sandri, a instituição é a única que atende as séries iniciais do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental na vila de São Jorge da Mulada, desde 1945. "Atualmente temos 2 turmas multisseriadas, com um total de 24 crianças. O número sofre variações, como em qualquer escola da cidade ou do ensino superior. A gente sentiu uma diminuição a partir do momento da crise econômica que se instalou no país há 2 anos, porque até então muitos proprietários de sítios daquela região têm indústria metalmecânica em Caxias e tinha muitos caseiros com famílias com crianças pequenas na vila. E a partir do momento daquela crise várias pessoas foram demitidas e acabaram voltando para seus municípios de origem", relata a professora Claudia Sandri, licenciada em Pedagogia para séries iniciais e finais do ensino médio e pós-graduada em alfabetização.

Em 2018 a escola Irmão Pedro teve apenas 3 alunos inscritos no primeiro ano do ensino fundamental, o que motivou as professoras a realizarem um levantamento de crianças com idade para educação infantil na região. "Tivemos apenas 3 inscritos no primeiro ano, então fui fazer uma busca ativa por crianças e percebemos que tinha 13 crianças na região com idade de educação infantil. Como o primeiro contato que elas têm com o mundo letrado é na escola, elas levam um tempo maior para se alfabetizar e a gente entende a importância da educação infantil. Então queríamos atender da melhor forma possível a população daquela localidade e solicitamos à promotoria a transferência das crianças, mas a primeira resposta que tivemos é que a obrigatoriedade era do município e que as crianças deveriam se deslocar", narra a professora e diretora da Escola Irmão Pedro, Adriana Fantin, licenciada em Educação Física e pós-graduada em Gestão Escolar . Conforme revela, o deslocamento das crianças de 4 e 5 anos previa uma média de mais 12 quilômetros no transporte escolar. "Foi aí então que nos foi apresentado um relatório feito por arquitetos e engenheiros, dizendo que a nossa escola não estava adequada e que a escola adequada seria a João Pilati, em função da infraestrutura melhor. Tinha 2 pais representando a comunidade e foi então nesse momento da reunião que houve uma sugestão da 4ª CRE de uma nucleação no centro do distrito, na Escola João Pilati. Então nós levamos um tiro no pé, fomos solicitar que as nossas crianças de educação infantil fossem atendidas e saímos com uma ameaça de fechar a escola", destaca Adriana. Conforme ressalta, os pais de São Jorge da Mulada também são contrários ao fechamento das escolas rurais.

Na noite desta sexta-feira (20), haverá reunião no salão da comunidade de São Jorge da Mulada, a partir das 19 horas, para discutir a situação da escola da comunidade. "A promotoria de educação, juntamente com o conselho da 4ª CRE, marcou uma audiência pública no dia 17 de agosto para ouvir a comunidade, só que a audiência é para o distrito de Criúva, não para as escolas. Por isso que os pais resolveram se mobilizar antes, na própria comunidade, pra ouvir as pessoas", ressalta a professora Maristela Niemezewski, pedagoga para educação especial, atualmente cursando pós graduação em Psicopedagogia. Conforme conta, a reunião terá a participação de representantes das entidades culturais de Criúva, piquetes de laçadores, clube de mães, comissão administrativa de outras localidades próximas da escola, representantes da Emater, do sindicato de trabalhadores de agricultores familiares e da Secretaria Municipal de Agricultura.