Segurança   04/10/2018 | 11h13     Atualizado em 04/10/2018 | 14h54

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São Marcos está com dois policiais militares a menos

No ano mais violento da história de São Marcos, Brigada Militar perde dois policiais e ficará por tempo indeterminado com déficit no efetivo. Dois brigadianos solicitaram transferência na justiça. Em outubro, Consepro fará repasse de novo auxílio

Major Juliano Amaral: ´Não vai vir mais ninguém para a Brigada, vamos ficar com esse déficit´
Major Juliano Amaral: ´Não vai vir mais ninguém para a Brigada, vamos ficar com esse déficit´

Foto: arquivo Jornal L´Attualità

O mês de outubro inicia com dois policiais a menos na Brigada Militar de São Marcos. De acordo com o major Juliano Amaral, comandante do 36º Batalhão de Polícia Militar da Serra, dois policias solicitaram transferência do município e tiveram parecer favorável da justiça. Ele explica que o comando da BM se posicionou contra a transferência, devido à falta de efetivo em São Marcos, mas não foi possível evitar a saída dos mesmos. O casal de brigadianos possui um filho com necessidades especiais, e argumentou a falta de recursos no município para atendê-lo, além da pouca assistência à própria Brigada Militar. "Eles fizeram requerimento para ir embora administrativamente e nós demos o nosso parecer desfavorável pela falta de efetivo. Mas eles entraram na Justiça, porque alegaram que tem o filho com necessidades especiais e a cidade não tem os devidos recursos que precisariam para atender essas necessidades. E o juiz deu favorável", explica o comandante da BM.

Após a decisão judicial, a BM precisou desligar os dois policiais em 48 horas e encaminhá-los para a cidade para a qual foram transferidos. "Eles voltaram para a cidade de origem, para perto da família", revela Juliano. Os policiais já não estão mais atuando em São Marcos e o município deve permanecer com este déficit, sem previsão para receber novo efetivo. "Não vai vir mais ninguém para a Brigada, vamos ficar com esse déficit", lamenta o comandante Juliano, revelando que outros brigadianos também manifestaram interesse em sair do município. "Temos outros casos, tinha sete pedidos para ir embora de São Marcos, e dois já foram, daqui a pouco outros vão ir também. Nós colocamos o parecer desfavorável, é contra a nossa vontade, mas a Justiça é soberana", ressalta o major. Além disso, como observa Juliano, quando os policiais completam 10 anos de trabalho em uma cidade eles têm direito de solicitar transferência, o que ajudou na argumentação do casal. "Temos um decreto estadual que regulamenta a questão da fixação do policial, que, se ele tiver 10 anos trabalhando em uma localidade, tem o direito de pedir a transferência para ir embora", observa.

Juliano comenta, ainda, que uma das principais motivações para os policias de São Marcos solicitarem transferência é a falta de apoio e recursos. "Desde que eu voltei para o comando eu disse que estava faltando a comunidade dar um pouco de carinho para os nossos brigadianos. Eles são seres humanos como outras pessoas, e estavam muito abandonados, isolados, sem condições de trabalhar. Eu falava que tinha que rever isso, para manter os policiais", argumenta o comandante regional, destacando que somente agora houve mobilização de entidades são-marquenses para apoiar a Brigada Militar do município. "Depois de 5 meses que eu estou batendo nessa tecla as entidades se mobilizaram, um pouco tarde já, porque o pessoal já decidiu ir embora e buscar outros recursos", lamenta o major Juliano Amaral.

Empresas e entidades se unem para pagar auxílio a policiais militares

A partir deste mês de outubro, os policiais militares de São Marcos passam a receber novo auxílio. Através de uma ação conjunta entre prefeitura, Consepro, empresas e entidades do município, a Brigada Militar receberá R$ 6 mil para pagamento de horas extras aos policiais no mês de outubro. "Arrecadamos um valor para o mês de outubro e vamos repassar R$ 6 mil agora, o comandante que faz a divisão para os militares que quiserem participar e fazer horas a mais, porque tem alguns que não querem participar, eles não são obrigados", explica o presidente do Consepro, Jaime Camassola.

A iniciativa partiu do prefeito Evandro Kuwer, que iniciou contato com empresas oferecendo esta parceria em prol da segurança no município. "A campanha para iniciar essa parceria com empresas foi iniciada pelo prefeito, para tentar auxiliar e motivar que outros policiais militares venham para São Marcos", ressalta Jaime, destacando que o valor do auxílio não é fixo, variando conforme os valores depositados pelas empresas parceiras. "Esse mês vai ser uma experiência, as empresas vão depositando em uma conta do Consepro e depois encaminhamos para a Brigada Militar. Em novembro vão ser outros valores, vai depender do que as empresas depositam. Já temos algumas empresas, mas o prefeito vai continuar indo atrás de mais", revela Jaime.

O auxílio será pago para policiais que fizerem horas extras, necessárias devido ao déficit no efetivo da BM. "Eles vão disponibilizar esse valor todo o mês. Em contrapartida vai ter alguns horários extras. O pessoal vai estar fazendo umas missões a mais, além da escala rotineira da Brigada", complementa o major Juliano Amaral.

São Marcos voltará a emitir documentos de identidade

O presidente do Consepro, Jaime Camassola, anunciou também que em breve São Marcos voltará a emitir documentos de identidade. O convênio já foi assinado com o governo federal, mas ainda não há local definido. "Ainda temos que definir uma sala para prestar esse serviço e montar com toda a aparelhagem necessária e pessoal", anuncia Jaime. Mais informações devem ser anunciadas ainda neste ano.