Saúde   11/08/2017 | 09h25     Atualizado em 11/08/2017 | 10h44

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São-marquense precisa tratar úlcera varicosa na perna e aguarda ação da Secretaria de Saúde de São Marcos

Deficiente visual, Adão José Rodrigues Leite tem indicação para tratar infecção com urgência, mas aguarda negociação entre secretária e médicos: ’Não posso esperar mais’

Adão José Rodrigues aguarda tratamento para a perna com especialista
Adão José Rodrigues aguarda tratamento para a perna com especialista

O são-marquense Adão José Rodrigues Leite, 55 anos, aguarda que a Secretaria Municipal de Saúde de São Marcos consiga uma consulta com médico especialista em cirurgia vascular para tratar uma úlcera varicosa na perna. Deficiente visual, ele diz que está com infecção causada por uma bactéria em função da má circulação sanguínea e que ela pode se espalhar pela corrente sanguínea, o que representaria risco de morte, conforme diagnóstico de médico com quem consultou em julho. A situação foi relatada ao L’Attualità neste quarta-feira (9). "Mês passado uns conhecidos pagaram consulta com um médico particular (da Sociedade Médica São Marcos) e ele me deu indicação para que consulte com urgência um especialista para tratar essa infecção. Entreguei o papel com o encaminhamento na Secretaria de Saúde, mas a secretária (Rosa Fontana) disse que está negociando com o especialista para pagar parcelado. Mas esse médico que consultei disse que não posso esperar mais, porque pode ser tarde. Ele falou que nem adianta ficar tomando antibiótico e que precisa tratar com urgência: o sangue não circula e tem que abrir para limpar as veias, porque posso perder os pés e tem até risco de morte", declarou, salientando que sente muita dor.

 

Sua perna esquerda apresenta inchaço e seu pé possui feridas purulentas. "Umas três vezes por semana a ambulância da Secretaria vem me buscar para eu ir trocar os curativos. Em outros dias troco em casa mesmo", diz. Conforme a filha Débora, 22 anos, que reside no porão e auxilia o pai, a situação ocorre há cinco anos.  "Às vezes piorava e em outras ficava um pouco melhor. Mas nunca tão ruim como agora", comentou. Por ser deficiente visual, Adão é aposentado por invalidez. Ele disse que recebe um salário mínimo por mês do INSS através do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Sem plano de saúde e sem condições financeiras de arcar com o custo do tratamento, precisa da ajuda do poder público municipal. "Estou esperando para consultar com o Dr. Sérgio, que é especialista nesta área e vem duas vezes por semana a São Marcos. O médico de São Marcos que consultei em julho me deu encaminhamento para fazer o tratamento com esse médico de Caxias, mas estou esperando a Secretaria de Saúde conseguir", afirmou.

’O tratamento está em andamento, vou falar com o médico nesta sexta e ver o que e possível fazer’

A secretária municipal de Saúde de São Marcos, Rosa Fontana, esclareceu que os tratamentos de casos de úlcera varicosa, como o de Adão Rodrigues Leite, não são feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e por isso está negociando com os médicos. "O tratamento dele está em andamento. Ele tem úlcera varicosa na perna e o Dr. Sérgio disse que o indicado não é cirurgia, mas sim um procedimento no qual ele injeta uma medicação na veia. Isso vai tratar a infecção, porque, depois que a úlcera abre, começa a necrosar e corta a circulação do sangue. Mas para fazer o procedimento precisa de um ecógrafo (aparelho de ecografia) e na Secretaria de Saúde não tem. Por isso estamos negociando com a Sociedade Médica para usar o ecógrafo deles e ver se eles permitem que se faça lá dentro", esclareceu. Rosa disse que vai falar com o Dr. Sérgio nesta sexta (11). "Vou falar com ele e tentar. Vai ter que ser no particular, provavelmente vai ser um pouco caro, mas vamos ver quanto ele cobra. Tem mais três pessoas que também tem trombose e precisam desse procedimento e vamos ver o que vai ser possível fazer", destacou, salientando a necessidade de manter o ferimento higienizado e limpo para evitar infecção. "Toda semana vamos buscar ele em casa e fizemos os curativos aqui no posto", frisou. Adão entende que a prefeitura tem condições de arcar com os custos do tratamento. "Como pode uma prefeitura como a de São Marcos não ter dinheiro para isso?", questionou.

Adão perdeu a visão quando trabalhava no asfaltamento da Rodovia Pe. Pedro Rizzon: ’Pedi cesta básica, mas a Assistência Social não deu’

Emergência: úlcera varicosa e infecção oferecem risco de morte
Emergência: úlcera varicosa e infecção oferecem risco de morte

Morador da Rua Bonfilho Nicoletti, Adão Leite é pai de três filhas (Sabrina, 24 anos; Débora, 22; e Luana, 19, que freqüenta a Apae). Divorciado, ele conta que perdeu a visão aos 19 anos, quando era funcionário da Sultepa e trabalhava no asfaltamento da estrada que liga São Marcos a Criúva (Rodovia Padre Pedro Rizzon). "Durante os serviços caiu um eucalipto na minha perna e deu uma infecção generalizada que atingiu a córnea e a pupila", recorda. Ele se diz acostumado com a falta de visão. "Aqui dentro me viro bem, porque estou acostumado e já tenho o ’tato’ da casa. Mas, quando saio, é só atravessar a rua que não me acho mais", relatou. Adão disse que enfrenta dificuldades financeiras e no início do ano solicitou auxílio da Assistência Social para conseguir cesta básica. "Com o salário mínimo que recebo mal dá para pagar as despesas. Mês passado foram R$ 300 só de água e luz. Por isso pedi cesta básica, mas a Assistência Social não deu", comentou.

 

Conforme a secretária Aparecida Libardi Boff, o setor responsável em fornecer cestas básicas avaliou que ele não necessita do benefício. A Assistente Social Márcia Dani explicou que pelo fato de Adão receber o benefício mensal do INSS ele não se enquadra para ganhar cestas básicas, que são concedidas através de projeto gerenciado pela Irmã Lúcia, da Paróquia. "Ele não recebeu cesta básica porque tem esse benefício da aposentadoria por deficiência. Priorizamos idosos com crianças e que não tenham renda nenhuma. Entendemos que se ele recebe esse benefício não precisa de cesta básica", esclareceu. A secretária Aparecida lembrou que vai entrar na Câmara de Vereadores a Lei dos Benefícios Eventuais, o que pode auxiliar casos como o de Adão Rodrigues Leite. "Essa nova lei separa o que é política púbica de saúde e assistência social. Isso vai dar mais garantias de direito e pode servir para situações como essa", comentou.

 

 

 

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