24/08/2017 | 20h34     Atualizado em 24/08/2017 | 20h59

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L’Attualità na Expoagas: Serginho Groisman encerra ciclo de palestras magnas interagindo com o público

Para abordar o tema ’Empreendedorismo’, comunicador fez uso do tradicional formato que o consagrou na TV: ele caminhou pelo Teatro do Sesi e conversou com a plateia, entre eles o são-marquense do Mercado São Martinho

Apresentador do Altas Horas foi destaque da Expoagas nesta quinta (24)
Apresentador do Altas Horas foi destaque da Expoagas nesta quinta (24)

Bem mais que uma palestra. Assim foi a apresentação do comunicador Serginho Groisman na manhã desta quinta-feira (24), no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. Responsável por encerrar o ciclo de palestras magnas da 36ª Expoagas, Serginho se valeu do tradicional formato que o consagrou na televisão brasileira desde os anos 1980, quando apresentava o programa Matéria Prima, na TV Cultura de São Paulo. Após breve introdução na qual falou sobre sua história familiar (os pais imigrantes poloneses e romenos que vieram ao Brasil fugindo do nazismo), ele abandonou o palco e passou a caminhar entre as fileiras de poltronas do auditório do Teatro do Sesi, que estava com sua capacidade de 1,8 mil lugares esgotada (os que chegaram mais tarde tiveram que acompanhar a explanação do comunicador da Rede Globo pelos telões instalados no saguão). Conversando com as pessoas com desenvoltura e irreverência, Groisman fez lembrar o tempo do "fala garoto", famosa fórmula que ainda hoje é marca registrada do apresentador. Casualmente a primeira pessoa entrevistada por Serginho foi o são-marquense João Felipe, proprietário do mercado São Martinho. Filho da representante regional da Agas, a gerente da Cooperativa Tânia Ampessan Fochesatto, João estava sentado nas primeiras filas, reservadas a membros da entidade, e foi interrogado pelo palestrante, que pediu para ele falar sobre o seu negócio. João se apresentou, contou sobre o mercado e fez um bate-papo descontraído com Serginho.

 

Depois do são-marquense, diversas pessoas conversaram com o comunicador, que parece ter o dom de fazer o público se soltar, deixando todos à vontade para perguntar e expressar suas opiniões. O desejo de "bater um papo cabeça" com o famoso apresentador do Programa Altas Horas levou alguns a abandonar seus lugares e irem até onde Serginho estava. No fim, a uma hora prevista para a palestra que ocorreu entre 9h30 e 10h30 acabou sendo pouca para atender tantas requisições. Ao ser avisado que tinha apenas 10 minutos, ele soltou um "só!", lamentando que não disporia de mais tempo para seguir com a interação. "Agradeço o convite e a inciativa da Agas de trazer pessoas de diferentes áreas e com pontos de vista distintos para palestras neste evento. Isso proporciona momentos de reflexão, algo importante para que juntos possamos transformar esse país. Acredito na força da população e no seu trabalho", comentou, sob aplausos efusivos da plateia. O prazer pelo trabalho, aliás, foi mensagem deixada por Groisman. "O amor ao trabalho foi uma das heranças que recebi de meu pai. Ele me ensinou a trabalhar com prazer, mas para isso é preciso ter liberdade onde se trabalha", destacou, lembrando os oito anos em que atuou no SBT e ressaltando que os ambientes de trabalho são sempre conflitantes, especialmente no jornalismo. Ele também contou sobre sua formação, revelando que antes de se formar em Jornalismo fez por um ano a Faculdade de Direito e por 1 ano e meio a de História. Ele disse que ao longo de sua trajetória profissional teve ajuda do acaso. "Nunca achei que estaria onde estou agora. Só o que posso dizer é que vocês devem dar o melhor de vocês onde vocês estiverem", assinalou.

’Supermercado é referência jornalística do momento econômico do país’: Serginho defendeu liberdade de expressão

Serginho Groisman interagiu com plateia de empresários gaúchos
Serginho Groisman interagiu com plateia de empresários gaúchos

Questionado sobre o momento econômico do país, Serginho Groisman considerou que o Brasil já enfrentou crises econômicas graves, mas nunca passou por uma crise política tão intensa. "Isso está desestabilizando os políticos e até mesmo o voto. Tem até gente que quer a volta da ditadura. Mas isso é a única coisa que não desejo. Trabalho com cultura e vi como um regime ditatorial é complicado, porque a censura é perversa. É na democracia e com liberdade de expressão que vamos resolver as coisas", declarou. Ele também falou sobre a necessidade de inovação, criatividade e transformação que devem estar presentes num empreendedor, que sempre está sujeito a erros. "Errar não significa a desgraça de uma pessoa. Mas muitas vezes é preciso mudar e renovar ao invés de persistir no erro. A vida é feita de tempo e o tempo é mudança", afirmou, fazendo lembrar a máxima do filósofo grego Heráclito para quem "a única coisa permanente na vida é a mudança". Para Gorisman, o empreendedor não é apenas o dono do negócio, mas também o empregado. "Sempre fui empregado e me considero empreendedor", comentou. Em sua avaliação, a palavra-chave do empreendedorismo é "inovação": "O empreendedor precisa estar atento às questões políticas, econômicas, geográficas e culturais. Mas tem que inovar, porque se você não se mexer vai perder", observou, salientando a necessidade da transformação e da simultaneidade com a informação.

 

Serginho Gorisman também falou sobre a importância da ética no mundo dos negócios e especialmente na sua profissão, o jornalismo. "A ética é uma das questões mais importantes da vida. Sendo ético você não será desonesto e isso é fundamental. Porque a honestidade dá credibilidade, que não pode ser ferida com atitudes não éticas", ponderou. Ele também comentou sobre a relevância do supermercado enquanto retrato da situação econômica do país. "O supermercado é a referência jornalística do retrato econômico do país. Quando a economia vai mal o jornalista vai ao supermercado registrar a situação, ver se falta produto, se há reajuste de preço, se tem filas", apontou, citando as clássicas reportagens feitas em supermercados e lembrando que no tempo de grande inflação  do início dos anos 1990 a máquina que reajustava os valores das mercadorias (a temida remarcadora de preços) se tornou símbolo daquele momento econômico. No fim, Serginho deixou a certeza da importância da comunicação no mundo atual; afinal, como palestrante magno da Expoagas, ele foi um exuberante comunicador, alcançando empatia com o público e obtendo o tão almejado "feed-back", buscado nos mais variados segmentos profissionais.

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