Colégio Mutirão São Marcos   06/09/2017 | 19h36     Atualizado em 06/09/2017 | 20h24

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Caso Capitu e Bentinho: alunos do Mutirão de São Marcos resgatam história de Dom Casmurro, de Machado de Assis

Na manhã desta quarta (6), os alunos do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Mutirão apresentaram a Primeira Sessão Ordinária de Julgamento da Ré Capitolina Santiago. O trabalho da disciplina de Língua Portuguesa se baseou no livro Dom Casmurro

Julgamento, na manhã desta quarta (6), contou com jurados da comunidade
Julgamento, na manhã desta quarta (6), contou com jurados da comunidade
Foto: Jornal L’Attualità

O livro "Dom Casmurro", do escritor brasileiro Machado de Assis, faz uma crítica à sociedade brasileira da época (1890), mas gira, principalmente, em torno do romance entre os protagonistas Capitu e Bentinho. O grande legado da história é a polêmica sobre a possível traição por parte de Capitolina Santiago, e que divide opiniões até hoje. O tema, que é um dos mais polêmicos da literatura brasileira, motivou o trabalho dos alunos do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Mutirão de São Marcos - Assemarcos. Através da disciplina de Língua Portuguesa, com a professora Everli Gambin, os alunos fizeram a leitura de uma das mais clássicas obras da literatura brasileira. Eles tiveram orientação de advogados do município sobre os processos de acusação e defesa em um tribunal de justiça, para assim fazer o julgamento da história fictícia, que até hoje gera dúvidas entre críticos literários brasileiros, fomentando, inclusive, livros que abordam o assunto. Um deles foi lançado em 2014 pelo desembargador sergipano Vladimir Souza Carvalho. Em "Dom Casmurro: a história que Machado de Assis escondeu", o jurista chegou a mesma conclusão dos jurados do julgamento protagonizado pelos alunos do Mutirão em São Marcos: Capitu é inocente (ou seja, ela não trai Bentinho com seu amigo Escobar). Foi exatamente essa dúvida cruel que levou Bentinho à casmurrice. Dúvida, aliás, que Machado de Assis fez questão de deixar como um dos principais legados de sua memorável narrativa.

textos

Na manhã desta quarta-feira, 6 de setembro, os alunos do  alunos do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio Mutirão de São Marcos apresentaram a Primeira Sessão Ordinária de Julgamento da Ré Capitolina Santiago, na Câmara de Vereadores de São Marcos. Os alunos se dividiram em grupos de defesa e acusação e apresentaram seus argumentos sobre o caso Capitu e Bentinho das 9h30 às 11h30, na presença dos demais alunos do Ensino Médio, familiares e convidados. Também estiveram presentes 11 jurados, representantes da comunidade, que foram convidados pela escola. "As pessoas aceitaram o nosso convite e tiveram interesse em valorizar a educação nesse sentido, tiraram o tempo de vir aqui e ficar uma manhã toda. Mas elas gostaram da experiência, mesmo não sabendo qual ia ser o resultado por ser a primeira vez", ressalta a diretora do Mutirão no turno da manhã, Elemara Michelon Borghetti.

Alunos tiveram orientação de advogados do município sobre como conduzir acusação e defesa

Atividade cultural lotou auditório da Câmara de Vereadores de São Marcos
Atividade cultural lotou auditório da Câmara de Vereadores de São Marcos

Os alunos iniciaram a elaboração do trabalho há três meses, e trabalharam no projeto concomitantemente aos conteúdos da disciplina de Língua Portuguesa. "Fazem 3 meses que estão tendo essa preparação, com orientações de advogados de como conduzir a defesa e a acusação. A professora Everli trouxe a ideia, a escola concordou e começamos a nos movimentar. É um marco na história do Colégio Mutirão, porque estamos mostrando um pouco do trabalho que fazemos. É um projeto que sentimos firmeza e queremos dar continuidade", garante Elemara. Ela destaca também que o trabalho está integrado ao projeto da escola "Ler Mundos". "O Ler Mundos é um projeto para induzir os alunos à leitura. Eles não estavam se empolgando com isso, então propomos ler mais e fazer a ligação com o mundo através da literatura. Buscamos fazer essa relação forte do que se aprende na escola com a vida real", pontua a diretora Elemara Michelon Borghetti.

 

Júri absolveu Capitu, personagem de Machado de Assis, por unanimidade

Acompanhe trecho do julgamento encenado pelo alunos do Mutirão, atividade cultural realizada na manhã desta quarta-feira (6), na Câmara de Vereadores de São Marcos

Desembargador sergipano lançou livro com trabalho semelhante ao dos alunos do Mutirão

Livro de desembargador Vladimir Carvalho também concluiu pela absolvição de Capitu
Livro de desembargador Vladimir Carvalho também concluiu pela absolvição de Capitu

Autor de títulos acadêmicos e contos, membro da Academia Sergipana de Letras, articulista do Diário de Pernambuco e magistrado há mais de trinta anos, o desembargador Vladimir Carvalho decidiu abordar o romance machadiano sob a perspectiva de um tribunal, a exemplo dos alunos do Mutirão de São Marcos. No livro "Dom Casmurro: a história que Machado de Assis escondeu", lançado em 2014 - e que, segundo ele, é destinado "a todos os leitores de Machado de Assis que estão engasgados há anos com a dúvida sobre a infidelidade de Capitu" -, ele analisou todas as pistas, depoimentos e personalidades envolvidas. Com isso, transformou a história em um processo judicial, chegando a um veredito sobre o possível adultério de Capitu. Quatro anos de pesquisas o levaram a concluir a inocência da protagonista, mas trouxeram à luz uma história inédita que, segundo o autor, se esconde dentro da trama principal. "Concluí, no papel de juiz, que Bentinho não foi traído, mas encontrei uma história encravada em Dom Casmurro, que deixo para meus leitores descobrirem", conta o desembargador.

 

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